Dircéa Binder - Mantos Cerimoniais

Os "Mantos" de Dircéa Binder inserem-se entre as propostas dos artistas "wearable", caracterizados pelas criações livres confeccionadas de modo artesanal.

Revisitando diferentes culturas e períodos da história da arte, Dircéa faz citações que vão do neolítico (Manto Rupestre), ao contemporâneo (Linguarudos de Schwanke). O rococó, o barroco, a pop e a arte póvera também se fazem presente, assim como referências étnico-antropológicas (Manto Africano, Manto da Pomba Gira, Manto do Divino, etc). Numa sugestiva viagem pelo tempo, o espectador depara-se com a pompa majestosa dos mantos imperiais, com o liberador erotismo fálico do Manto da Pomba Gira ou com a força telúrica do manto Rupestre pirogravado em couro cru.

Cada manto possui seus acessórios (chapéus, coroas ou adereços), que uma vez reunidos recriam símbolos e arquétipos que um dia já povoaram nossos sonhos e imaginação.

Para devolver o espectador a crua realidade do dia a dia a artista inclui na mostra o Manto dos Sem Teto, utilizando como suporte um cobertor "tomara que amanheça" sobre as quais fez uma profusão de colagens de cacarecos que fazem parte do cotidiano do homem de rua, Dircéa nos faz refletir sobre a frágil precariedade da condição humana, ironiza dessa forma os sonhos de grandeza expressos em tantos mantos revestidos de uma fantasiosa autoridade.

Retomando os rituais da fabricação artesanal e caseira, Dircéa recupera a magia peculiar e única dos objetos feitos à mão, com aquele calor humano e aura própria que só eles possuem.

Com impressionante habilidade, manipula com maestria bordados, cortes e costuras, dominando um amplo repertório de técnicas, cujos nomes por si só evocam uma época que se foi para sempre, tragada por uma sociedade apressada e sem tempo para atividades que requerem antes de mais nada o exercício da sensibilidade e da paciência.

Veludo chiffon em aplicações pintadas a mão compondo pétalas de rosas, rendas frivolité tecidas pela própria autora, ponto ajour, rendas, bordados e babados de todos os tipos imagináveis são usados em profusão sobrepostos às superfícies dos mantos, colocadas num outro contexto , estas técnicas vistas antigamente como "prendas domésticas" extrapolam e ampliam seus significados originais.

Propondo a indumentária como arte a ?wearable? necessita ser vestida para atingir plenamente seus resultados estéticos.

Escultura em movimento, o corpo é não só o suporte ideal para este tipo de arte como também expressão viva dessa relativamente nova linguagem artística.

Salvador Dali, Sônia Delaunay, Gustav Klimt, Jean Cocteau, entre outros já utilizaram-se dos recursos expressivos dessa linguagem visual. No Brasil, nos anos 60 Hélio Oiticica marcou época com seus Parangolés-Capas, e mais recentemente veia a público o antológico Manto para Falar com Deus, de Artur Bispo do Rosário.

Os mantos de Dircéa, mesmo expostos em cabides e manequins, impõem-se pela original criação, riqueza de cores, texturas e detalhes, mas como toda obra "wearable" é sobre o corpo que atinge sua plenitude apropriando do espaço envolvente, criando formas que instauram uma nova realidade.

Janga Neves

Ciclo de Exposições de Março
Abertura:
Dia 15 de março de 2007, às 19h30min
Visitação:
16 de março a 15 de abril de 2007
De terça a domingos e feriados, das 13h às 21h - Entrada franca

Exposições, eventos e comunicados atuais do MASC

X Salão Nacional Victor Meirelles

O Museu de Arte de Santa Catarina – MASC – no período de 04 de novembro a 04 de janeiro de 2009, abrirá suas portas para a visitação da mostra das obras selecionadas nesse já tradicional Salão.

X Salão Nacional Victor Meirelles - Sala Especial - Doraci Girrulat.

Doraci se faz acompanhar de obras de 10 ex-alunos que apontam influências de seu labor artístico-pedagógico.

III Ciclo Museu, Educação e Cultura em Debate

III Ciclo Museu, Educação e Cultura em Debate, a fim de problematizar e estreitar as relações museu-escola-universidade. É um espaço de trocas, com enfoque na produção artística e científica de professores de escolas, professores universitários, educadores de museus e pesquisadores.

Exposições, eventos e comunicados anteriores

X Salão Nacional Victor Meirelles - Artistas Selecionados

Confira os artistas selecionados para o X Salão Nacional Victor Meirelles.

GAPF - Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis - 50 ANOS

Entre as 80 obras que farão parte da mostra “GAPF 50 ANOS”, estarão incluídas 26 que fizeram parte da primeira exposição do grupo em 1958, além de jornais, ilustrações e fotografias da época.

Momentos do Acervo

Retomando as mostras de seu acervo, o MASC apresenta dois segmentos da sua coleção: O Núcleo Inicial – 1949/1951 e Doações e Aquisições – 2005/2008.

Antônio Vargas - Série Grotesco

Antônio Vargas é um importante artista que trabalha nas fronteiras da pintura, que faz dialogar com recursos de novas mídias, no caso, a linguagem digital, alargando desse modo, por compenetração, a construção do olhar do espectador e do repertório simbólico da obra.

Paulo Greuel - Exposição Paraíso Tropical

O referencial de Paulo Greuel é o mundo exterior que desloca na fotografia, sua técnica por excelência, até o nível de uma sobre-imagem, também instauradora de sentidos.

Tércio da Gama - 50 anos de pintura

Tércio da Gama é um artista emblemático da cidade de Florianópolis que realiza no MASC a exposição comemorativa de 50 anos dedicados à pintura.

X Salão Nacional Victor Meirelles

Com a intenção de incentivar a produção atual das artes plásticas no Brasil e torná-la acessível ao público, a Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, a Fundação Catarinense de Cultura, e o Museu de Arte de Santa Catarina, apresentam aos interessados o regulamento da 10ª edição do Salão Nacional Victor Meirelles.

Coleção Gilberto Chateaubriand - Um Século de Arte Brasileira

Depois de ser exibida em São Paulo, Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro, chega a Florianópolis a exposição Um Século de Arte Brasileira – coleção Gilberto Chateaubriand. A mostra, promovida pela Fundação Catarinense de Cultura e pela Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, apresenta uma das mais importantes coleções privadas de arte do país, e vai estar aberta ao público a partir de 09 de maio, no MASC – Museu de Arte de Santa Catarina.

Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

Exposição comemorativa do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Para compor a mostra, foram convidadas três artistas representantes da cultura japonesa , residentes em Florianópolis: a gravadora Julia Iguti e as ceramistas Marina Takase e Marina Uieara.

Victor Meirelles - Primeira Missa no Brasil

O Museu de Arte de Santa Catarina estará apresentando ao público do Estado a "Primeira Missa no Brasil" exemplar icônico da pintura brasileira, de autoria do artista florianopolitano Victor Meirelles.

Rubens Oestroem - O Espaço Pleno

Pela primeira vez, o Museu de Arte de Santa Catarina abriga uma extensa mostra do trabalho do artista Rubens Oestroem.

Invisibile - Letícia, Lúcia e Maria

Falar da exposição Invisibile é fácil e, ao mesmo tempo, muito difícil. Tão fácil quanto se espelhar no universo destas três artistas: Letícia, Lúcia e Maria. Tão difícil quanto se reconhecer parte desse mesmo universo.

George Peixoto - Peixodelic

A exposição "PEIXODELIC", que encerra a carreira de George Peixoto como publicitário, também ressalta a eficácia e a relevância do design e anuncia um desdobramento do seu trabalho no campo das linguagens visuais.

Luciano Boletti

Dando seguimento ao seu programa de divulgação da arte contemporânea através da revelação de novos e promissores talentos, o MASC expõe no primeiro ciclo de mostras de 2008 uma coleção de pouco mais de 20 trabalhos do artista paranaense Luciano Boletti.

Beta Monfroni

Beta não se interessa em arranjar o mundo, mas em diagnosticar a incerteza irremissível da vida. Ou a imprecisão do destino. A exposição consta de 22 pinturas que pela gestualidade e pela escolha do suporte – o papel – tendem ao desenho.

Centenário Martinho de Haro

Martinho de Haro, ao lado de Victor Meirelles, se destaca como o mais importante artista plástico de Santa Catarina. É o único pintor que, tendo produzido por décadas nos limites de sua terra natal, conseguiu elevar-se como nome maior do modernismo brasileiro, sendo referência obrigatória na história da arte do país, ao par de Volpi, Guignard, Di Cavalcanti e Pancetti.

De dentro pra fora: Mostra do CEART no MASC

A edição deste ano do Festival de Inverno do Centro de Artes (CEART) será realizada, de 11 a 30 de setembro, no Museu de Arte de Santa Catarina.

Ciclo de julho do MASC

O atual ciclo de mostras do MASC abrange três versões que destacamos da coleção permanente do Museu.

Infância: Convite ao reencontro

A curadora Amalhene Baesso Reddig selecionou peças que, de acordo com sua ótica, representam a sintonia com o mundo da infância. Da infância plural e em contínua construção.

Silvana Leal - Todocorpo

A exposição de Silvana Leal consta de 20 imagens inéditas da escritora e fotógrafa que tem como foco de interesse o corpo humano e sua relação com o universo.

Hetty van der Linden - Pintar um futuro

A artista plástica holandesa Hetty van der Linden retorna ao MASC com seu projeto "Pintar um futuro".

Camille Claudel - A sombra de Rodin

Serão vistas dezesseis obras de Camille Claudel, três de Auguste Rodin e ainda um busto de camille por boucher – conjunto que dá a dimensão da importância destes artistas.

Yara Guasque - Eu sou alma pequenina

São desenhos e aquarelas sob papel, de pequeno formato, produzidos ao longo de duas décadas, período que a artista passou a residir em Santa Catarina.

Cléa Espíndola - Passagens

Série de peças de cerâmica que possuem um itinerário que vai da figuração explícita e bem humorada até a ocultante-revelante face da perturbadora concepção tridimensional de formas.

Rótulos - sobre a necessidade de classificar

Na sala Harry Laus, a exposição Rótulos contará com o acervo do MASC (representado por 25 artistas) e Raquel Stolf, artista convidada pelo curador Charles Narloch.

Dircéa Binder - Mantos Cerimoniais

Os "Mantos" de Dircéa Binder inserem-se entre as propostas dos artistas "wearable", caracterizados pelas criações livres confeccionadas de modo artesanal.

Paulo Gaiad - Sobre Papel

Artista plástico comemora no MASC os 20 anos de sua primeira exposição em Florianópolis e revela obras inéditas produzidas recentemente.

IX Salão Nacional Victor Meirelles

A nona edição do Salão Nacional Victor Meirelles está prestes a ser inaugurada no MASC (dia 19 de dezembro, terça-feira, às 20 horas).

Itaú Cultural - Rumos Artes Visuais 2005-2006 - Ausências

Exibição traz um recorte da exposição realizada em São Paulo, na sede do Itaú Cultural. Ausências reúne trabalhos de 28 artistas de todo o Brasil.

Centenário Martinho de Haro

Preparando os eventos culturais que, ao encargo do Museu de Arte de Santa Catarina, terão lugar no ano de 2007 para comemorar o centenário do pintor Martinho de Haro, o MASC inaugurou, no dia 19 de outubro de 2006, a sala especial permanente dedicada ao artista.

Ciclo de exposições de setembro de 2006

Para reabrir seus recintos, o MASC programou três exposições simultâneas. Volume, pintura e fotografia no ciclo de exposições de setembro.

Nelson Maravalhas - A importancia do Quê - a fisiologia da imagem

Por ser tão facilmente associada à tradição, uma das saídas estratégicas que se impõem à pintura é a de fazer oposição declarada ao espírito contemporâneo e afirmar o direito ao anacronismo.

Traços do Acervo Caixa

A Caixa Economica Federal promove a exposição "Traços do Acervo Caixa", no Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis.

Amelia Toledo - Entre, a obra está aberta

Amelia Toledo, nome consagrado da arte contemporânea no país, está chegando a Florianópolis para acompanhar de perto a montagem de uma grande exposição.

Hetty Van Der Linden - Pintar um Futuro

Artista plástica holandesa, idealizou o projeto “Pintar um Futuro” com foco nas necessidades das crianças carentes do mundo usando sua ferramenta de trabalho: a arte contemporânea.