Centenário Martinho de Haro

Há uma razão imperativa para que se comemore com galas muito especiais o centenário de nascimento do pintor catarinense Martinho de Haro:, o pintor cartesiano que com desbordante de sensibilidade afetiva é o paisagista por exelência da cidade de Florianópolis. O motivo está nas palavras que Valmir Ayala escreveu há vinte anos, logo após o falecimento do pintor: “O diálogo agora é de uma pintura soberana e completa, com um universo de olhares necessitados de justiça e esclarecimento. A ilha ganha agora sua luz, sua verdadeira luz, porque a obra viva de Martinho de Haro encontra seu continente exato; é um bem público destinado a valorizar a vida comunitária”. Portanto, chegou a hora de democratizar para valer aquela justiça e aquele esclarecimento que, após a morte do pintor, foram se fortalecendo sem, contudo, chegar a atingir a latitude que lhes compete junto às camadas populares. O que se impõe, porque o povo é o legitimador de todo itinerário de arte que se torna lenda e memória.

Estamos em 2007. Para que a justiça com plenitude se realizasse e o esclarecimento pudesse frutificar e atingir de vez o nível da comunidade, através do convívio do qual, desde sempre, se destina a produção de um artista maior, era preciso que se criasse o museu que abrigaria parte significativa da obra de Martinho de Haro. Tal museu seria aquele em que, pela fruição, a sociedade se resgataria, cumprindo o dever dos que se afirmam preocupados com a cultura, posto que esta seja o lugar que espelha nosso autêntico semblante.

Enquanto não se funda tal instituição devemos a nós mesmos, como cidadãos, um trabalho de divulgação, que pode muito bem servir-se do ensejo do centenário para ser proposto e ser levado a efeito. Sendo assim, é tempo de pensarmos em uma definitiva exposição que descortine, nesse simbólico momento, o mais e o melhor da produção de Martinho. Nela se exibiriam as hoje inatingíveis obras primas de coleções particulares e públicas. É preciso que se componha o inventário, dessa produção, que dará ao resto do Brasil e aos interessados de fora um instrumento de conhecimento e de pesquisa. Este catálogo estará à disposição do público a partir do seu lançamento, no Museu de Arte de Santa Catarina, no dia 11 de novembro. Necessário é, por fim, que tragamos estudiosos e críticos para que, no ano das comemorações possam discutir o legado e indicar novas perspectivas de entendimento e avaliação de um percurso, já aquilatado por Roberto Teixeira Leite, Fábio Magalhães, Olívio Tavares de Araújo e outros estudiosos. Estes críticos e alguns mais, como Tadeu Chiarelli, Walter de Queiroz Guerreiro e nadja Lamas estarão no MASC, para discutir a obra de Martinho, nos dias 25, 26 e 27 de outubro.

O tempo veio dizendo que Martinho de Haro foi o maior artista plástico de sua terra; que, entre nós, outro não houve que captasse com mais finura as sugerências do lugar de sua predileção. Disse mais o tempo: que ele edificou uma tipicidade discreta e não obstante vigorosa que dariam universalidade às emoções que nascem nas vivências locais, mas atingem, quando elaboradas pelo saber, os patamares da arte sem fronteira. Martinho representa o ponto alto do modernismo em terras de Santa Catarina. Aqui, arriscando ambivalente isolamento, ele construiu o roteiro exemplar e luminoso, na medida inversamente proporcional aos espetáculos retóricos da pintura. Foi buscar com manualidade espiritual (e além disso, espirituosa) o domínio de harmonias diáfanas; o registro de transparências moventes que superaram às de seus possíveis inspiradores, aqueles epígonos de um fauvismo depurado que retornam, como Marquet, abandonando os rugidos da cor, à análise das nuanças e da transitoriedade das sugestões atmosféricas. Enfim, um artista para a história da arte brasileira, à altura de seus maiores representantes.

Programação Centenário Martinho de Haro

09/10 Abertura da mostra CENTENÁRIO MARTINHO DE HARO Museu de Arte de santa Catarina / MASC às 19:30 horas Visitação até 02/12/2007

23/10 Exposição “Desenhos” Museu Histórico de Santa Catarina / MHSC às 19:30 horas Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de novembro

24/10 Abertura da mostra “Desenhos de Martinho de Haro” Museu Victor Meirelles às 19:00 horas Palestra do bacharel em história Fernando Boppré sobre a obra e a vida de Martinho de Haro às 18 horas

25 a 27/10 Seminário Martinho de Haro Sempre às 15:00 h no cinema do CIC, aberto ao público, gratuito, sem escrições prévias, número de vagas limitado ao espaço (200 lugares), com certificado

25/10 Olívio Tavares de Araújo e Rodrigo de Haro

26/10 Tadeu Chiarelli e Walter de Queiróz Guerreiro

27/10 Nádja Lamas, José Roberto Teixeira Leite e Fábio Magalhães. Não há títulos específicos para as palestras. Todas terão como tema a carreira do pintor Catarinense Martinho de Haro

27/10 Lançamento do livro “A Florianópolis de Martinho de Haro”. Museu de Arte de Santa Catarina/MASC às 18 horas

11/11 Festa do Centenário Museu de Arte de Santa Catarina/MASC às 20 horas Concerto de Piano Diogo de Haro Lançamento do livro “Martinho de Haro” e exibição do vídeo “Martinho de Haro” produzido pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC) dentro do projeto Alma de Artista

Exposições, eventos e comunicados atuais do MASC

X Salão Nacional Victor Meirelles

O Museu de Arte de Santa Catarina – MASC – no período de 04 de novembro a 04 de janeiro de 2009, abrirá suas portas para a visitação da mostra das obras selecionadas nesse já tradicional Salão.

X Salão Nacional Victor Meirelles - Sala Especial - Doraci Girrulat.

Doraci se faz acompanhar de obras de 10 ex-alunos que apontam influências de seu labor artístico-pedagógico.

III Ciclo Museu, Educação e Cultura em Debate

III Ciclo Museu, Educação e Cultura em Debate, a fim de problematizar e estreitar as relações museu-escola-universidade. É um espaço de trocas, com enfoque na produção artística e científica de professores de escolas, professores universitários, educadores de museus e pesquisadores.

Exposições, eventos e comunicados anteriores

X Salão Nacional Victor Meirelles - Artistas Selecionados

Confira os artistas selecionados para o X Salão Nacional Victor Meirelles.

GAPF - Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis - 50 ANOS

Entre as 80 obras que farão parte da mostra “GAPF 50 ANOS”, estarão incluídas 26 que fizeram parte da primeira exposição do grupo em 1958, além de jornais, ilustrações e fotografias da época.

Momentos do Acervo

Retomando as mostras de seu acervo, o MASC apresenta dois segmentos da sua coleção: O Núcleo Inicial – 1949/1951 e Doações e Aquisições – 2005/2008.

Antônio Vargas - Série Grotesco

Antônio Vargas é um importante artista que trabalha nas fronteiras da pintura, que faz dialogar com recursos de novas mídias, no caso, a linguagem digital, alargando desse modo, por compenetração, a construção do olhar do espectador e do repertório simbólico da obra.

Paulo Greuel - Exposição Paraíso Tropical

O referencial de Paulo Greuel é o mundo exterior que desloca na fotografia, sua técnica por excelência, até o nível de uma sobre-imagem, também instauradora de sentidos.

Tércio da Gama - 50 anos de pintura

Tércio da Gama é um artista emblemático da cidade de Florianópolis que realiza no MASC a exposição comemorativa de 50 anos dedicados à pintura.

X Salão Nacional Victor Meirelles

Com a intenção de incentivar a produção atual das artes plásticas no Brasil e torná-la acessível ao público, a Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, a Fundação Catarinense de Cultura, e o Museu de Arte de Santa Catarina, apresentam aos interessados o regulamento da 10ª edição do Salão Nacional Victor Meirelles.

Coleção Gilberto Chateaubriand - Um Século de Arte Brasileira

Depois de ser exibida em São Paulo, Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro, chega a Florianópolis a exposição Um Século de Arte Brasileira – coleção Gilberto Chateaubriand. A mostra, promovida pela Fundação Catarinense de Cultura e pela Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, apresenta uma das mais importantes coleções privadas de arte do país, e vai estar aberta ao público a partir de 09 de maio, no MASC – Museu de Arte de Santa Catarina.

Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

Exposição comemorativa do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Para compor a mostra, foram convidadas três artistas representantes da cultura japonesa , residentes em Florianópolis: a gravadora Julia Iguti e as ceramistas Marina Takase e Marina Uieara.

Victor Meirelles - Primeira Missa no Brasil

O Museu de Arte de Santa Catarina estará apresentando ao público do Estado a "Primeira Missa no Brasil" exemplar icônico da pintura brasileira, de autoria do artista florianopolitano Victor Meirelles.

Rubens Oestroem - O Espaço Pleno

Pela primeira vez, o Museu de Arte de Santa Catarina abriga uma extensa mostra do trabalho do artista Rubens Oestroem.

Invisibile - Letícia, Lúcia e Maria

Falar da exposição Invisibile é fácil e, ao mesmo tempo, muito difícil. Tão fácil quanto se espelhar no universo destas três artistas: Letícia, Lúcia e Maria. Tão difícil quanto se reconhecer parte desse mesmo universo.

George Peixoto - Peixodelic

A exposição "PEIXODELIC", que encerra a carreira de George Peixoto como publicitário, também ressalta a eficácia e a relevância do design e anuncia um desdobramento do seu trabalho no campo das linguagens visuais.

Luciano Boletti

Dando seguimento ao seu programa de divulgação da arte contemporânea através da revelação de novos e promissores talentos, o MASC expõe no primeiro ciclo de mostras de 2008 uma coleção de pouco mais de 20 trabalhos do artista paranaense Luciano Boletti.

Beta Monfroni

Beta não se interessa em arranjar o mundo, mas em diagnosticar a incerteza irremissível da vida. Ou a imprecisão do destino. A exposição consta de 22 pinturas que pela gestualidade e pela escolha do suporte – o papel – tendem ao desenho.

Centenário Martinho de Haro

Martinho de Haro, ao lado de Victor Meirelles, se destaca como o mais importante artista plástico de Santa Catarina. É o único pintor que, tendo produzido por décadas nos limites de sua terra natal, conseguiu elevar-se como nome maior do modernismo brasileiro, sendo referência obrigatória na história da arte do país, ao par de Volpi, Guignard, Di Cavalcanti e Pancetti.

De dentro pra fora: Mostra do CEART no MASC

A edição deste ano do Festival de Inverno do Centro de Artes (CEART) será realizada, de 11 a 30 de setembro, no Museu de Arte de Santa Catarina.

Ciclo de julho do MASC

O atual ciclo de mostras do MASC abrange três versões que destacamos da coleção permanente do Museu.

Infância: Convite ao reencontro

A curadora Amalhene Baesso Reddig selecionou peças que, de acordo com sua ótica, representam a sintonia com o mundo da infância. Da infância plural e em contínua construção.

Silvana Leal - Todocorpo

A exposição de Silvana Leal consta de 20 imagens inéditas da escritora e fotógrafa que tem como foco de interesse o corpo humano e sua relação com o universo.

Hetty van der Linden - Pintar um futuro

A artista plástica holandesa Hetty van der Linden retorna ao MASC com seu projeto "Pintar um futuro".

Camille Claudel - A sombra de Rodin

Serão vistas dezesseis obras de Camille Claudel, três de Auguste Rodin e ainda um busto de camille por boucher – conjunto que dá a dimensão da importância destes artistas.

Yara Guasque - Eu sou alma pequenina

São desenhos e aquarelas sob papel, de pequeno formato, produzidos ao longo de duas décadas, período que a artista passou a residir em Santa Catarina.

Cléa Espíndola - Passagens

Série de peças de cerâmica que possuem um itinerário que vai da figuração explícita e bem humorada até a ocultante-revelante face da perturbadora concepção tridimensional de formas.

Rótulos - sobre a necessidade de classificar

Na sala Harry Laus, a exposição Rótulos contará com o acervo do MASC (representado por 25 artistas) e Raquel Stolf, artista convidada pelo curador Charles Narloch.

Dircéa Binder - Mantos Cerimoniais

Os "Mantos" de Dircéa Binder inserem-se entre as propostas dos artistas "wearable", caracterizados pelas criações livres confeccionadas de modo artesanal.

Paulo Gaiad - Sobre Papel

Artista plástico comemora no MASC os 20 anos de sua primeira exposição em Florianópolis e revela obras inéditas produzidas recentemente.

IX Salão Nacional Victor Meirelles

A nona edição do Salão Nacional Victor Meirelles está prestes a ser inaugurada no MASC (dia 19 de dezembro, terça-feira, às 20 horas).

Itaú Cultural - Rumos Artes Visuais 2005-2006 - Ausências

Exibição traz um recorte da exposição realizada em São Paulo, na sede do Itaú Cultural. Ausências reúne trabalhos de 28 artistas de todo o Brasil.

Centenário Martinho de Haro

Preparando os eventos culturais que, ao encargo do Museu de Arte de Santa Catarina, terão lugar no ano de 2007 para comemorar o centenário do pintor Martinho de Haro, o MASC inaugurou, no dia 19 de outubro de 2006, a sala especial permanente dedicada ao artista.

Ciclo de exposições de setembro de 2006

Para reabrir seus recintos, o MASC programou três exposições simultâneas. Volume, pintura e fotografia no ciclo de exposições de setembro.

Nelson Maravalhas - A importancia do Quê - a fisiologia da imagem

Por ser tão facilmente associada à tradição, uma das saídas estratégicas que se impõem à pintura é a de fazer oposição declarada ao espírito contemporâneo e afirmar o direito ao anacronismo.

Traços do Acervo Caixa

A Caixa Economica Federal promove a exposição "Traços do Acervo Caixa", no Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis.

Amelia Toledo - Entre, a obra está aberta

Amelia Toledo, nome consagrado da arte contemporânea no país, está chegando a Florianópolis para acompanhar de perto a montagem de uma grande exposição.

Hetty Van Der Linden - Pintar um Futuro

Artista plástica holandesa, idealizou o projeto “Pintar um Futuro” com foco nas necessidades das crianças carentes do mundo usando sua ferramenta de trabalho: a arte contemporânea.